sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Primos e Primos.

Há inúmeras histórias envolvendo primos. Quase uma regra, nas livrarias ñ faltam opções de livros envolvendo algum enredo sobre primos. E são de muitas categorias: romance, drama, auto-ajuda e até comédia. Cada um tem um personagem diferente, mas a trama é sempre a mesma. Há sempre um casal de primos apaixonados, amores que começaram desde pequenos, outros iniciaram na adolescência, outros já vivenciaram somente na fase adulta. É o tipo de romance que acontece em todas as idades, em todas as classes, com pessoas de todas as cores. É quase um amor universal. Quase todos já passaram por uma situação parecida. Ou como se diz: se ainda ñ passou, um dia vai passar.

E como qualquer pessoa normal, eu também já passei por isso. E também jamais esqueci. Afinal, nunca esquecemos a ansiedade do primeiro beijo. Era uma festa, tinha uns 13 anos. Era aniversário da minha tia Alice, p/ os íntimos, tia Ally. Naquele ano, toda a família de mamãe estava hospedada em casa, que virou uma grande pensão. 22 de dezembro. A família em peso ali. Tinha gente nos quartos, biblioteca, piscina, jardim, em todos os cantos. A família é inglesa, mas fizemos a la Brasil, com um grande churrasco, que como já é de se esperar, sempre entra pela noite. Pois bem, assim foi. E eu estava muito ansiosa com tudo aquilo, especialmente pela presença do meu querido primo, James, ali, hospedado em casa, apenas alguns metros do meu quarto. Toda a noite, todo o dia, todas as horas perto de mim. Apesar de ser muito moleca, a partir daquele momento percebi que uma parte do meu jeito de criança já tinha ido. Mas ñ esperava que naquela noite fosse inesquecível.

Enquanto minha irmã se derretia contando para as primas o primeiro beijo, o primeiro namorado de portão, eu brincava lá fora. Aliás, ñ brincava, passava o tempo nervosa, disfarçando os olhares que eu e James trocávamos. Fazia de tudo para esconder o que sentia do meu pai, principalmente de minha mãe. Mas ñ resisti. Depois que todos estavam meio bêbados, as meninas no quarto e os outros primos estavam jogando bola na rua, eu fui sentar debaixo da árvore, passando um pouco a piscina. Já era umas 18:00, o sol estava indo embora. Fechei meus olhos e fiquei pensando. Só abri quando senti a mão de James segurando a minha. Levei um enorme susto. Me arrepiei toda quando ele me disse no ouvido: "Vc está fazendo o que aqui sozinha?". Respondi quase sem voz: "Nada, só passando o tempo. E vc? Por que ñ está jogando bola?". A resposta dele foi mágica: "Porque eu vim fazer isso!". Nos beijamos. Um beijo intenso, nervoso, com medo e vontade. E o melhor de tudo: um beijo roubado. Um dos mais intensos da minha vida.

Depois disso, jamais o esqueci. E fatalmente quando nos encontramos, sempre nos lembramos disso. Algumas vezes comentamos, outras ñ falamos, mas os olhares sempre são os mesmos. Uma vez criei coragem e perguntei, ainda casada: "Sabe por que eu ñ esqueço aquele beijo?". Ele, num jeito arrogante que sempre detestei, mas sempre me atraiu, respondeu: "Sei. Porque, além de ter sido irresistível, amor de primo NUNCA acaba. E quando ñ se vive esse amor, sempre fica mal resolvido." Duvidei disso por muito tempo. Hoje, ñ duvido, mas ñ tenho certeza.

Me pergunto até hoje se o que sinto é realmente amor. Se o famoso amor de primo existe, se no meu caso ñ é apenas a lembrança do primeiro beijo, da primeira paixão, se tudo ñ passa de uma vontade ou se ainda há um sentimento ñ vivido ou ñ resolvido. Sei que alguns devem estar se perguntando: Cadê o tal primo? Eu tb me pergunto: Cadê?! A última vez que nos vimos foi há uns 3 anos atrás. Ainda estava casada, mas fiquei feliz em vê-lo de novo. Estava muito bem, lindo como sempre, mas meio arrogante tb! Longe de todos, nos abraçamos e ele só me disse algumas poucas e inesquecíveis palavras: "Quando vc puder, me liga. Ñ te esqueci, e sei que a recíproca é verdadeira. Um dia, a gente se resolve." Será que é verdade? O que há de tão intenso, de tão mágico numa relação entre primos? Parece que há um ímã entre primos, algo inexplicável. Mas o que acontecerá comigo? Aí só Deus pra responder né! O que tiver que acontecer, acontecerá!

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