terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O novo milênio...

Hoje recebi uma cópia do vídeo em que mostra o meu pai, em 79 chegando ao aeroporto. Era a volta dos exilados e tinha muita gente naquele aeroposto. Eu, claro, ñ lembro de absolutamente nada, infelizmente.

Eu, como ñ poderia ser diferente, me emocionei com o video. As pessoas voltando p/ o país, meio com uma sensação de alívio; meu pai chegou a pisar o chão do aeroporto, agarrando a bandeira nacional. Foi de um patriotismo que acabou, ñ existe mais. Nada de bom sobrou daquela época. A política virou piada; as ideias foram enterrados com os lutadores e o individualismo cresceu tanto quanto a inflação e a violência. O que ficou daqueles anos?

Meu pai tinha inúmeros amigos. Mas amigos mesmo, quase irmãos. Daquele enorme grupo, dois ou três ficaram, mantiveram contato. Outros esqueceram do que foram, ou quem costumavam ser e se perderam no capitalismo. Os que já eram ricos, ficaram ainda mais ricos. É engraçado como o tempo afasta as pessoas. Chega a ser irônico que com toda a tecnologia, as pessoas ainda estejam distantes. No tempo da máquina de datilografar e das cartas, nós éramos mais próximos.

Sinto falta da época em que todos se reuniam, ouviam Rita Lee, dançavam e se abraçavam sem importar a classe social. Enquanto nós, crianças da época, brincávamos na piscina ou íamos brincar de garrafão na rua, meu pai e seus amigos bebiam, dançavam, conversavam, viviam. Viviam, já em 80, sem medo, sem neuras, sem cobranças, sem preconceitos, sem status, viviam pelo simples prazer de viver. Às vezes me pergunto se a geração do meu pai, mesmo com a ditadura, ñ foi mais feliz que a minha?! E se já acho que a miha poderia ter sido melhor, o que meus filhos dirão da deles?

Penso no que meus filhos perderam. Poder brincar na rua, sentar na porta de casa e conversar, ficar até de madrugada na rua sem se preocupar com a violência, tomar banho de chuva, subir na árvore do vizinho p/ pegar acerolas, enfim, coisas tão simples, mas que ficou para trás. Doce e apertada saudade. Será que meu filho vai aprender a soltar pipa no ventilador do apartamento?

São por esses questinamentos que vejo o quanto a música Homem Primata, feita há anos atrás, é cada vez mais atual.

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