quinta-feira, 2 de abril de 2009

Companheirismo.

Os últimos dias têm sido complexos, uma sensação que nunca senti antes. Diante de tanta saudade, diante de tanta dor, continuar acordando e vivendo um dia por de cada vez é uma regra, uma lei.

É claro que ter essa aparente força toda ñ é fácil. Por isso, hoje tomo o espaço para agradecer profundamente meu namorado, meu amigo Dylan. Recebi um companheirismo ímpar de sua parte, atitude completamente inesperada, mas que me fez sentir segura, num momento tão ruim. Quando peguei meus filhos de maneira inesperada, mais uma vez, para dar uma notícia tão triste, tão dura, arrumar malas rápidas e correr pro aeroporto, eu ñ esperava ouvir: "Amor, eu vou contigo". O seu abraço, a sua voz me acalmando foi bom durante o tempo que precisei.

Um dos momentos mais chocantes da minha vida foi desembarcar no aeroporto, ser recebida pelo meu cunhado, também tão arrasado quanto todos nós, sem tempo de passar em casa, ir direto para o velório. Ao chegar lá, me deparei com um cenário que nunca esperei. Muita gente, muitos amigos, admiradores, vizinhos vieram tentar falar comigo, mas só o que meus olhos procuravam era minha mãe e minha irmã. Quando as encontrei, a emoção foi incontrolável. Me senti como uma criança perdida, que quando finalmente encontra sua família, só consegue chorar, chorar e chorar. Estava desesperada, confusa, só naquele momento é que absorvi realmente a notícia. Várias pessoas chegavam e, tal como eu, ñ podiam conter a emoção. Ficamos um bom tempo abraçadas ali, chorando, sem dizer nada, apenas com o calor do abraço e da emoção do momento. Tenho certeza que em algum lugar, meu pai estava vendo a cena e dizendo aquilo que costumava dizer sempre: "Lá estão as minhas mulheres, as mulheres da minha vida". Ele nunca se importou de ser rodeado por mulheres, nem mesmo quando todas estavam com os hormônios a flor da pele na fase da TPM. Parecia que ñ havia mais ninguém na capela, só nós 3. Para mim, parece que aqueles minutos de união familiar pararam, como se o relógio tivesse parado o tempo.

Mas somente quando um grande amigo de papai, o Sr. Motta nos cumprimentou e me disse: "Paula, onde estão seus filhos?" é que percebi o mundo ao meu redor. Eu tinha esquecido dos meus filhos. A força do momento foi tão grande que ñ sabia onde e com quem estavam os meus filhos. Pra minha surpresa, depois de tanto chorar e lamentar, um sorriso de cantinho de boca surgiu no meu rosto. Quando achei meus filhos, eles estavam adormecidos no colo do Dylan. Estavam cansados, física e psicologicamente. Aquela cena me tocou e ficará guardada eternamente na minha memória. Ali eu percebi que tinha ao meu lado ñ mais um namorado, mas um amigo, um grande companheiro. Ele, memso ñ sendo pai, estava nos bancos de recepção da funerária com a Maria e o João no colo, um de cada lado, fazendo cafuné nas crianças mostrando total apoio. Até na forma como assumiu as crianças, levando-as pra casa, cuidando, assumindo as minhas obrigações para que eu pudesse, mais tranquilamente, me despedir pela última vez do meu pai.

Ñ sei se um dia poderei retribuir todo esse companheirismo, todo esse carinho. Ainda estamos em início de relação, namorando há pouco tempo, mas o fato de saber que posso contar com ele nesses momentos, me faz pensar que valeu a pena esperar, valeu a pena dar um chance, que está valendo a pena viver essa relação, dividir com ele minhas alegrias e tristezas. Ainda somos jovens, ainda temos muito tempo pela frente. Ñ sei se estamos destinados a ficar juntos, mas saberei aproveitar cada minuto, cada segundo desse amor que tenho ao meu lado.

Obrigada por tudo meu amor.

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