Saudade vai, saudade vem, saudade vem, saudade fica. Talvez só agora eu entenda realmente o que é sentir saudades. Senti-la em todos os momentos, em todos os aspectos, em todas as esferas. Quando meus filhos perderam o pai, os consolei, me pus a disposição de suas dores, mas ñ sabia exatamente o que estavam sentindo. Sentia e ñ sentia. Mas agora sei, entendo e compreendo.
Oh Pai, desculpa se ñ tiver a oportunidade de agradecer por tudo. De agradecer por me abraçar quando ñ tinha mais ninguém pra me abraçar; por me levantar em todas as vezes que caí; por me dizer ñ quando queria ouvir sim; por me fazer sorrir quando só conseguia chorar; por me ouvir, mesmo quando ñ tinha nada a dizer; Obrigada por me amar, obrigada por ser meu pai.
Obrigada também por, junto com tantos outros artistas e estudantes, ter lutado para um Brasil livre, livre de torturas e pressão.
Nós brigamos, nós gritamos, mas eu sempre te amei. Ñ tenho arrependimentos, nem remorso. Fiz tudo ao meu alcance, tentei ser boa filha, com vc aprendi a lutar para defender o que achava certo, ñ importa o que me custasse. Eu te amo por vc ter sido amigo, por ter sido herói, por ter sido pai, meu pai, nosso pai. O fato de vc viver longe de nós nos primeiros anos de vida, exilado, culpado por lutar e dizer o que pensava ñ diminuiu nossa relação, nosso amor.
De tudo o que vivemos juntos em família, esteja onde estiver, sempre o lembraremos, sentiremos, pensaremos em vc. Certamente, será difícil para todos nós continuar a vida sem seu sorriso, sem seu abraço, sem seu colo, sua voz ou sua mão carinhosa nos consolando, nos dando tanto carinho. Natais, Reveillons, Aniversários, Páscoas, Dia dos Pais, em todas as ocasiões haverá sempre um vazio, uma lacuna, mas sei que no fundo, de alguma forma, vc se fará presente.
Otávio Lauande Catoccini - 22/04/1950 a 19/03/2009.
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