Em pequenos detalhes, a vida em San Francisco tem sido bem melhor. Meus filhos estão cada vez mais encantados com a cidade, porém caiu a ficha mesmo essa semana que passou. Começaram as aulas. Entraram em contato em definitivo com uma nova rotina, receio que somente agora eles sentiram a diferença. A primeira delas: ñ há condução particular ou ir de carro p/ escola. Acordamos cedo p/ pegar o ônibus ou o streetcar (tem aparência de ônibus, mas anda sob trilhos). Carro somente de alguel, ainda sim apenas aos fins de semana se quisermos ir p/ a praia ou algum lugar mais distante.
Segundo: turma nova, melhor, escola nova. Os colegas ñ são os mesmo que os acompanharam desde pequenos, a "tia" é nova, tudo, mais uma vez, é novo. Antigamente, tinha uma tranquilidade enorme com a escola deles no Brasil. Eles eram conhecidos, se estava atrasada, bastava ligar e dizer que era a mãe da Nanda e do João e pronto. Ñ precisava dizer sobrenome, dar características. Já sabiam de quem eu falava. Agora, são os novatos brasileiros. Aliás, são os novatos com nomes esquisitos! Nenhum colega de classe consegue pronunciar corretamente o nome deles. Nem mesmo a professora consegue.
E apesar desses ajustes, tudo está melhor. Ontem saí com os dois. Fomos ver mochilas e tênis novos. Saímos do shopping já era 21:30. Fomos para o ponto de ônibus. Chegamos em casa lá pelas 22:10. Andávamos pelas ruas sem medo, sem preocupação com violência. Caminhamos lentamente, observando a paisagem, as pessoas, o movimento, tudo.
O padrão de vida mudou. Ñ tenho carro, babá, jardineiro ou cozinheira. Compramos o material escolar pesquisando, fazendo tabela de preços, adequando tudo ao meu orçamento. Há semanas ñ sei o que é fazer unha em salão, fomos ao shopping, mas as crianças ñ comeram ou brincaram nos brinquedos, ficaram olhando com um desejo enorme, mas sabiam que teriam de optar: ou brinquedo ou o tênis legal, o lanche ou a mochila. Pela primeira vez, meus filhos estão conhcendo o que é economia, planejar o dinheiro para conseguirem o que querem. Sei que estão sentindo tudo isso, sei que estão observando a diferença, mas o que me deixa orgulhosa é que ñ reclamaram.
A mudança neles é brutal, notória! Estão amadurecidos, menos mimados, mais independentes. E usam a diferença de culturas a favor deles. Ensinam músicas brasileiras às crianças da vizinhança, mostram fotos dos avós, tios e primos, ensinam palavras e gírias em português.
Tudo isso tem me deixado mais feliz, por mais absurdo que pareça. Tenho absoluta certeza que um dia, quando voltarmos pro Brasil, meus filhos serão mais humildes, saberão dar valor ao esforço das pessoas. Por enquanto, o que consigo ressaltar é que estamos mais unidos do que nunca. Minha rotina de trabalho é adequada aos horários deles, então consigo jantar, fazer dever de casa, conversar brincar com eles, ser ainda mais presente. O amor aumentou tanto que ñ conseguiria imaginar felicidade maior, quando rezo, só tenho mesmo que agradecer, pedir mais seria muita ganância!
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