Somente hoje consigo escrever sobre a mudança repentina, rápida, louca. Arrisquei muito nessa viagem, projetei meus planos, confesso: fui egoísta. Investi nisso. O que me tira o sono a noite é: Será que valeu a pena?
Penso muito nos meus filhos. Também por eles, aceitei mudar de vida, voar tão alto. Literalmente, voar. A vida em San Francisco é tão nova. Mesmo já ter morado aqui, agora, ñ é mais a mesma cidade em que morei. Também ñ sou a mesma Paula. Dos colegas da época de faculdade, reencontrei apenas dois. Ando pelas ruas, que p/ mim até são um pouco familiares, mas p/ os meus filhos é um novo mundo. Pelo fato de ser novo, me pergunto: foi mesmo bom p/ eles? Até agora, ainda ñ reclamaram. Mas ñ é São Paulo. Aqui ñ tem vovó ou vovô, os amigos do condomínio, o "tio" da padaria, o porteiro já conhecido, passeio no Ibirapuera, regalias que só eles tinham. Aqui, p/ eles, ñ há o que reconhecer, ñ há quem reconhecer. Eles conseguem se comunicar muito bem, se viram, usam as diferenças a seu favor, mas apesar dessa euforia que a California oferece, ñ é mais o ambiente deles. Os vizinhos foram gentis. Claro, no início, cria-se mil expectativas, nos observaram, procuraram reconhecer traços, características brasileiras, mas no fim, nos receberam. Mas ainda são desconhecidos p/ nós. Ñ fazem parte do nosso passado, ñ conhecem nossa história. Um dia saberão, porém, enquanto esse tempo ñ chega, somos apenas os "novos moradores, os brasileiros".
Uma das coisas fundamentais p/ decidir me mudar foi a tranquilidade. Isso consegui aqui. Eu cresci num ambiente livre, apesar dos pesares. No quintal tinha o pé de acerola que o papai fazia questão de cuidar, tinha um bom espaço p/ correr. Ainda tinha as brincadeiras na rua. Pega-pega, amarelinha, Pigue-esconde, mais um monte que me faziam entrar em casa suada, melada, quase irreconhecível. Até 4 meses atrás, meus filhos tinham crescido em apartamento, o máximo que podiam era descer p/ "correr" num espaço delimitado, ensinei-os a ñ pisar muito forte p/ ñ incomodar o vizinho de baixo, barulho depois das 22h ñ era permitido, arrastar móveis então, nem pensar. Mudamos um pouco, fomos p/ um condomínio fechado, estávamos morando em casa, mas ainda faltava um pouco mais, afinal nunca saíam sem a babá.
Hoje, os meninos saem de casa, correm na rua, algumas brincadeiras até são as mesmas, se divertem, ñ tem babá. Enquanto eles correm, posso sair, conversar com as mães das outras crianças, ter conversas de dona-de-casa (Por sinal, nunca pensei que um dia teria conversas como essas). Os dois voltam nojentos, sujos, negros! Mas com um enorme sorriso. Isso me acalma. Mas será que eles estão realmente gostando? E quando se cansarem? Se quiserem voltar? E se preferirem voltar e morar com o pai? Tudo isso ñ me deixa dormir...
E enquanto esrevo esse texto, ouço incansavelmente "Every Breath you Take", do The Police. Essa música me deixa um pouco mais em "casa". Tive meu primeiro amor aqui. Ñ foi paixão, foi amor. Ou foi paixão com amor, ñ sei, só sei que foi inesquecível. E tendo essa música como tema. Que saudades....Pior é que ñ sei se é saudade desse amor ou daquele tempo, em que eu era apenas uma universitária, cheia de sonhos, sem pais ou irmã por perto p/ me vigiar, livre, leve e solta, dividindo quarto com minha "roomate"....
Ultimamente, a grende questão que me persegue nos telefonemas e emails dos amigos são: e namorado, já arrumou? A resposta ainda é a mesma: NÃO! Neste momento, ainda ñ quero. E por mais que insistam, digo sem mentiras: Estou muito bem assim! A solteirice ñ tem mais o mesmo sabor de antes. Aliás, nunca mais terá. Depois de um casamento, dois filhos, o que menos quero é compromisso. Esse ano, atingi minha cota de riscos. Me mudei pela 2a vez em 10 meses! E dessa vez, ñ mudei de bairro, mudei de país. Mudou o clima, os hábitos, a rotina, mudou tudo! Cair num relacionamento agora é o que menos quero, é o que menos preciso, mesmo que o mundo ao mu redor me diga o contrário. Percebi que o problema ñ são os californianos, nova-iorquinos, texanos, o problema é comigo. Já trouxe meus tesouros preciosos p/ um mundo novo, expô-los a um novo relacionamento, colocar um novo alguém entre nós ñ me parece sensato. Ñ estou dizendo que está errado, ou poderia ser o certo, apenas reforço: "ñ quero!"
Adoraria continuar esse texto, mas minhas obrigações me chamam. A primeirda delas: ir ao supermercado (a atividade que mais detesto!), fazer comprar rápidas p/ casa, depois olhar as crinças brincarem na rua...

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