Ñ consegui liberação p/ passar natal com minha família. Sim, é assim secamente que comunico isso.
Sim, eu sei que hoje o natal, especialmente no país que estou, está puramente comercial, é a época das famosas confraternizações, quando vc observa aquelas pessoas do trabalho ou condomínio que nunca falam com vc de repente te abraçam, te olham, te desejam um ótimo natal, um ótimo ano-novo, ficam mais amáveis... ou falsamente mais amáveis; as pessoas aproveitam as loucas promoções de fim de ano; pensam bem no que vão fazer do tão aguardado décimo...O Natal virou um motivo p/ as pessoas repensarem sobre a sua situação financeira.
Mas ñ fui criada assim. Nem estou passando isso aos meus filhos. Natal, para mim, também ñ era o tempo do papai noel, por mais que as lojas empurrassem a qualquer custo isso. Natal, para mim, era a época em que podia reencontrar minha família, ajudar a minha mãe na decoração da casa para receber os amigos, montar a árvore de natal, contar os minutos p/ ver toda a nossa família, que durante o ano sempre ficava separada, ali, naquela sala, todos juntos.
Na segunda-feira, enquanto todas as crianças a odiavam, eu sempre a esperava. Apesar de tudo eu gostava de ir pra escola. Eu acordava e pensava: "finalmente a Segunda-feira!". É claro que isso mudou com o tempo e passei a ser como as outras pessoas, que odiavam a segunda-feira, mas naquela época eu realmente gostava de saber que a semana começava novamente. A única coisa que me entristecia era quando eu perguntava p/ algum colega: "E aí, como foi o fim de semana? Como foi o domingo?" e eles sempre respondiam: "Ah, mesma coisa de sempre. No domingo fomos p/ casa da vovó, passei o dia com os chatos dos meus tios e com os meus primos!". Eu ñ tinha tios ou primos presentes. Domingo com casa cheia, essa experiência ñ era muito comum em casa.
Porém, no Natal eu tinha isso. Eu tinha casa cheia, com avós, tios (alguns chatos, outros ñ, mas eles estavam lá!), eu tinha a felicidade de ter todo um estresse pela casa estar tomada or familiares. Então para mim, Natal era isso: estar literalmente em família, ter uma casa muito bem decorada, cheirosa, com todos os arranjos de Natal, uma bela ceia, com a mesa cheia de coisas gostosas, típicas da época.
Muitas vezes o presente nem era necessário, só o abraço de todas as pessoas já era suficiente. E foi isso que eu sempre proporcionei aos meus filhos nessa época. Família sempre e em primeiro lugar. Agitação, correria, árvore, peru, quartos cheios, Natal. Ñ ter isso este ano é sacrificante até p/ mim, o que dirá p/ os meus filhos. Num ano marcado por tantas mudanças, eu gostaria que pleo menos isso ñ mudasse.
Será o primeiro Natal longe do Brasil, longe dos avós, longe do pai. Eu ñ sei quantos outros primeiros meus filhos enfrentarão, mas certamente eu estarei aqui com eles, ao lado, abraçando, apoiando, chorando e rindo junto, os amando sempre.

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